O preconceito contra as mulheres e sua escravização à futilidade
por Luiz Guilherme Marques
A ENCICLOPÉDIA JURÍDICA LEIB SOIBELMAN informa sobre
preconceito:
Prevenção. Prejuízo. Intolerância. Ódio irracional contra religiões,
raças, povos, classes, profissões. Opinião ou juízo formado sem maior exame.
Crendice.
Não menciona expressamente o preconceito contra as
pessoas do sexo feminino. Todavia, esse preconceito existe, na verdade, em
larga escala.
Quando se trata de reconhecer seus méritos em áreas
em que concorrem com os homens, elas sofrem restrições severas.
Os representantes do sexo masculino querem as
mulheres voltadas apenas para o culto à Beleza e às Prendas Domésticas,
visando, usufruírem, através delas, no primeiro caso, do prazer sexual, e, no
segundo, tê-las como servidoras pacientes e fiéis.
As mulheres atualmente têm procurado libertar-se de
grande parte dos serviços domésticos, inclusive dividindo tarefas com os
maridos.
Todavia, não conseguiram entender que sua
escravização às regras cada vez mais exigentes da Beleza coloca-as numa posição
falsa de prestígio passageiro.
MOHANDAS GANDHI aconselhava as mulheres a não se
submeterem a esse tipo de falso prestígio, alcançado à custa de renúncia ao
direito de valorizar-se pelos seus méritos reais, que independem dos enfeites e
artifícios estéticos.
Não que as pessoas do sexo feminino tenham de
desprezar sua natural e louvável inclinação para o Belo, mas sim que não se
entreguem de pés e mãos atados à ditadura da Moda, comandada pelos delírios de
Estetas nem sempre razoáveis e ponderados.
Vê-se atualmente a quase padronização da aparência
feminina, muitas vezes violentando o estilo pessoal de cada uma: ou você é mais
uma a seguir os padrões estabelecidos pelos figurinistas e estilistas ou você
será desprezada como "uma estranha no ninho"...
A própria inteligência fica em segundo plano: se
você é bonita e veste-se dentro dos estilos mais prestigiosos, isso basta para
você brilhar como uma flor de um dia; se você não tem um visual perfeito, ainda
pode salvar alguma coisa em termos de destaque se se
veste com esmero; todavia, se não prima por nenhuma das duas exigências acima,
está fadada ao descaso geral.
O preconceito fala alto neste ponto.
Como homem, fico penalizado de ver a forma como as
mulheres têm aceitado esse quadro de acontecimentos.
Por isso, faço esta reflexão, aconselhando-as a se
libertarem dessa sutil imposição, que visa mantê-las nos limites enganosos da
Futilidade para não ocuparem os espaços que antes eram somente nossos.
Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 7 de outubro de 2008